domingo, 14 de setembro de 2014

Luto

Uma vez vi em algum lugar que o luto pode durar até dois anos, mas deve ser algum tipo de lembrança fabricada que só existiu na minha mente.
Seja lá como for não deve, normalmente, durar muito mais do que isso. Menos, talvez.
O fato é que o meu durou 10 anos.
Neste período eu não sabia o que estava acontecendo comigo.
Fui outra pessoa, encontrei um "não eu" por aí, mas não me dava conta disto.
Fiz coisas das quais não me orgulho, pois são coisas que eu "jamais faria", e, não fiz mais. Não me orgulho de nada que tenha feito neste tempo todo, às vezes acredito até que não fiz coisa alguma, pois não fiz o que normalmente faria, nem o que deveria fazer. Alías, não me lembro de ter feito, realmente, alguma coisa. Passei pelos lugares e pelas pessoas sem deixar marcas e quase nada as deixou em mim.
Na verdade, vendo agora, com distanciamento, faz uns cinco anos que estou saindo desse limbo.
Limbo sim! Além de tudo não queria nem pensar, e medo de esquecer. Chorava cada vez que lembrava.
O fato é que com o passar dos anos as datas foram perdendo significado, os rituais foram sendo deixados de lado pouco a pouco. As lembranças ruins já nem doem mais, de tão distantes que ficaram.
Acredito que estou mesmo recuperando minha autoconfiança. De forma exageradamente lenta, é verdade, mas ao menos passei a compreender o que se passou comigo na última década.
Nada disso, porém, justifica as más escolhas, ou, pior ainda, a ausência delas!
A parte boa é que em certo ponto aprendi a renunciar ao que é desnecessário, mesmo que não o faça sempre. E quase tudo é completamente desnecessário. Pena que quase ninguém o compreende.

Estou reaprendendo a ser eu, com todos meus defeitos, medos e culpas. Tornei a pensar e sentir.

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