Os relacionamentos não dão certo porque as pessoas, pelo menos muitas delas, colecionam conquistas como se fossem troféus, colecionam fotos que representam momentos de felicidade simulada. Colecionavam às vezes para guardar e colecionam principalmente para mostrar.
Ninguém quer admitir que escolher começa com perder. Isso mesmo, perder, e eu não vou tentar amenizar o peso das palavras.
Ao escolher ter uma vida em comum com alguém abdica-se de toda uma vida individual, em que se é o cerne das próprias preocupações, e onde a toda preocupação começa com "eu". Eu quero, eu desejo, eu gosto, eu faço, EU... Eis a preocupação MAIOR.
O "nós" impõe o "perder-se". Mais uma vez não usarei palavras sutis a mascarar a verdade. O "nós" impõe, pois não sabe ensinar o "eu".
É bem verdade que é preciso pelo menos dois "eus" para compor um "nós", mas este tem vida e valor próprios e passa então a ser a entidade maior. Assim, o "eu" tem sim espaço dentro do "nós", mas tem de aprender sozinho como é dividir, pois de outro modo vai esmagar o "nós" completamente. Ele que é tão exigente, mas também tão frágil.
Aqui, dividir quer dizer ter em comum. Para que haja o "nós" a escolha por ele deve ser comum. O desejo de lutar pelo "nós" tem de ser comum, tem de ser um só e o mesmo para ambos.
Sem isto, e isto é o mínimo necessário, jamais existiu ou existirá um "nós".
As conquistas, as fotos, a felicidade...
Tudo falsidade.
Ilusão.
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