sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Total estranheza

Sei que corro o risco de tornar-me repetitivo, mas são apenas constatações.
E porque tudo isso? Não há um porquê, não há uma razão para a vida e não há um sentido para as nossas existências. Nada além de tudo aquilo que inventamos para tornar a vida menos insuportável. Isso porque, o cérebro humano desenvolveu-se demais a ponto de questionar, e, mediocremente, não o suficiente para ser capaz de compreender o que quer que seja, e muito menos a si mesmo.
E depois de tudo isso vejo a meu lago uma garota que chora. Acho que ela também sente o mesmo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Será saudade?

Hoje a noite a lua estava tão cheia, tão clara
Toda vez que olho pra ela eu vejo você
É seu olhar a chamar meu coração

Ficção

Hoje quando sai de casa, já perto das oito da manhã, vi uma densa neblina como não via há tempos, e como jamais vira naquele horário. Pensei: Estamos num dos contos de Stephen King, certeza! A qualquer momento vai sair um monstro gigantesco dessa neblina, e virá desta esquina...
O sol foi ficando mais forte e a aura das coisas foi se delineando numa palidez fatasmagorica.
Tão lindo a ponto de se dispersar rápido demais.
Hoje almocei com um estranho.
Ficamos os dois lá, frente a frente, em silêncio.
Por um ou dois momentos nossos olhares se encontraram, coisa que muito evitei.
Foi constrangedor; porque, afinal, ele tinha de se sentar alí?
Parece que foi proposital.
E porque bem diante de mim?
Ficamos nós dois, cada um em sua mesa, quase íntimos.
Depois cada um para seu lado, pois eu desisti da sobremesa.
Ao que parece ele também gosta de sorvete!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fora de moda

Quando eu era criança ouvia dos comerciantes, assim como minha mãe, das pessoas em geral e até mesmo nos desenhos animados que o "freguês tem sempre razão". É claro que não queriam dizer que os clientes sempre têm razão, mas a expressão significava que o empresário deveria ser maleável na busca de manter a fidelidade do seu cliente, representava a consciência de que o serviço ou produto só tinham razão de existir porque alguém queria consumí-los, e também a gratidão pela escolha do cliente; escolha que mantinha empresas prósperas e longos contratos de emprego. E quem diria que uma certa dose de capitalismo poderia ser tão saudável!
Entretanto, tal expressão, ao que me parece, caiu em desuso. A prática do momento, moda lançada pelos grandes grupos empresariais, é usar de todo tipo de sutileza para convencer o cliente. Primeiro se convence-o de que está fazendo o melhor negócio de sua vida, e depois, quando ele finalmente entende como funciona o produto ou as limitações impostas ao serviço que tando passou a querer, a desejar, como se fosse a coisa mais necessária de sua vida, se convence-o de que a sua insatisfação é culpa sua. As cláusulas são claras e é azar o do consumidor não ser perito a ponto de decifrar as entrelinhas, ou, de ser ingênuo a ponto de dispesar quando apresentado às peripécias gramaticais e letras miúdas de um contrato que sequer se sabe onde consultar. Está inventada a arte de dizer sem deixar tão claro, de ludibriar com falsa boa fé. Mas quem poderia provar que houve má fé, e onde estaria o interesse em ter clientes insatisfeitos?
Em um mercado onde os poucos gigantes que tudo dominam agem praticamente em uníssono de nada mais vale a satisfação do cliente. Importa ser habilidoso em te enrolar, fazendo-o acreditar que está trabalhando para melhor atendê-lo!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O meu inferno são os outros, e meu mundinho particular é meu paraíso, único consolo e guardião do choro mais profundo, doído e contido.
Tanto esforço para não falar da vida de ninguém enquanto o esporte universal é dar palpite na vida alheia. Os argumentos redentores são: “Eu quero o melhor para você”; “Mas você não merece isso, merece mais pela sua capacidade”; “Você deveria fazer...”. E é nesta última parte que começa a infindável lista de coisas que eu já tentei fazer, influenciado que fui por todo mundo que queria o meu bem, e que obviamente não deram certo. Tivesse eu toda a capacidade que afirmam e teria muito mais do que realmente mereço.
O pior de tudo é ver quão insensível e egoísta é o ser humano.
Nesta terra de gente que só quer o meu bem não há um ser sequer que se pergunte o que eu gostaria de fazer afinal, ou então que compreenda que eu posso simplesmente não saber o que quero fazer e por conta disso queira fazer uma série de coisas que não têm nada a ver com o que se considera “o melhor para mim”.
O esporte da moda é me olhar com uma expressão mista de espanto e piedade trepudiadora só porque não fiz o que todo mundo esperava. Eu decepcionei a todos ainda mais uma vez, mas agora eu consigo me sentir bem, na maior parte do tempo, e especialmente naquela parte em que consigo ser anônimo e ficar afastado da “terra de gente que só quer o meu bem”.
Será que, finalmente, começo a provar o sabor da liberdade?

domingo, 29 de maio de 2011

Mais do mesmo

E o que os Céus querem me mostrar agora?
A vida parece um roteiro nada criativo a repetir uma mesma historieta sem graça.
Da primeira vez eu assisti calada, pensando que nada poderia fazer, e quando veio o ocaso lamentei por nada ter feito.
Senti o amargo sabor da perda e planejei, quase prometi, não passar por aquilo de novo. Pelo menos não seria mais daquela forma, pois eu faria tudo diferente.
Da segunda vez fiz tudo diferente, mas tudo parece igual. Hoje assisto a mesma cena.
Agora eu até participo, ou tento fazer parte de algo por aqui, e só o que sei é que continuo expectador, ao que parece vitalício, do mesmo filme de terror.
Pensei que a lição de moral da história era não deixar a vida passar, era fazer por merecer, mudar o pequeno universo a minha volta.
Que piada!
Agora a lição é a mesma, mas a vejo outra. O aprendizado é que eu não faço a menor diferença, ou pelo menos não para melhor. A vida acontece sem depender de mim, sempre igual, mesmo quando penso que posso interferir.
Doeu tanto ter engolido calado e eu quase nem demonstrei. E esta dor ainda faz parte de mim. Posso fazer de conta que ela não está lá, mas já é parte de mim, e será comigo até o dia de minha morte. Isso se a morte for o fim, se não for... Ninguém sabe por quanto tempo mais!
Ah!
Se você soubesse como eu me sinto não me faria viver tudo outra vez.
Eu poderia tentar dizer mas minha experiência já me provou o quanto é inútil.
Neste caso vou voltar àquele meu mundinho pequeno repleto de fotos de gente feliz.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Insônia

Eu sei que pode parecer ultrapassado, e talvez realmente o seja, aliás, como tudo que escrevo, mas afinal, qual o sentido disto tudo?
Todas as noites, e não é exagero meu não abrir exceção para nenhum diazinho sequer, eu deito a cabeça no meu travesseiro e não consigo não pensar nesta pergunta.
Por mais que pareça inútil pensar sobre isso o fato é que ninguém me deu uma resposta, então esta questão me persegue e muito me angustia.
Por mais que eu tenha um dia feliz quando me deito eu duvido disso, duvido de tudo e me considero a pessoa mais infeliz do mundo. Eu me pergunto se existe mesmo alguém feliz, completo.
Tudo me parece pequeno e sem sentido algum, tudo me incomoda mesmo sendo inútil, e mais, esta vida não me deixa dormir. O sonhado sono vem pela exaustão da luta em ocupar minha mente, em lutar comigo para não pensar, porque viver é vazio e pensar dói.
Se meu travesseiro é meu inquisidor será apenas peso na consciência? E se for, que peso é esse então?  O eu fiz para ter um peso que não sei nem de onde vêm, qual seu motivo?
E por que é que eu tenho que pensar tudo isso outra vez?

domingo, 10 de abril de 2011

Dissecando o Romantismo


Os relacionamentos não dão certo porque as pessoas, pelo menos muitas delas, colecionam conquistas como se fossem troféus, colecionam fotos que representam momentos de felicidade simulada. Colecionavam às vezes para guardar e colecionam principalmente para mostrar.
Ninguém quer admitir que escolher começa com perder. Isso mesmo, perder, e eu não vou tentar amenizar o peso das palavras.
Ao escolher ter uma vida em comum com alguém abdica-se de toda uma vida individual, em que se é o cerne das próprias preocupações, e onde a toda preocupação começa com "eu". Eu quero, eu desejo, eu gosto, eu faço, EU... Eis a preocupação MAIOR.
O "nós" impõe o "perder-se". Mais uma vez não usarei palavras sutis a mascarar a verdade. O "nós" impõe, pois não sabe ensinar o "eu".
É bem verdade que é preciso pelo menos dois "eus" para compor um "nós", mas este tem vida e valor próprios e passa então a ser a entidade maior. Assim, o "eu" tem sim espaço dentro do "nós", mas tem de aprender sozinho como é dividir, pois de outro modo vai esmagar o "nós" completamente. Ele que é tão exigente, mas também tão frágil.
Aqui, dividir quer dizer ter em comum. Para que haja o "nós" a escolha por ele deve ser comum. O desejo de lutar pelo "nós" tem de ser comum, tem de ser um só e o mesmo para ambos.
Sem isto, e isto é o mínimo necessário, jamais existiu ou existirá um "nós".
As conquistas, as fotos, a felicidade...
Tudo falsidade.
Ilusão.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Eu ainda sinto?

O tempo me consome! Eu o sinto.
Consome meus pensamentos, minha juventude,
minha curiosidade, ardor e paciência.

"Onde está aquela menina meiga que você era?" Perguntam.
"Eu não sei nem se algum dia eu fui mesmo assim." Respondo.
Mas acho que é assim, gentil, que eu queria ser.
Para que a vida fosse mais fácil. Parecesse mais amena.

E para onde foi toda a Paixão do mundo?
Ao fim deste tempo o que restará de mim?
O tempo me corrói
e eu sinto tanto...

segunda-feira, 14 de março de 2011

Sobre nós.

Nada mais será como antes
nós jamais seremos os mesmos.

Você percebe o significado disto?

É maravilhoso pensar

         pode
tudo                        ser
                   infinito         melhor!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O que eu digo.

Para que fiquei claro!

Nem sempre é o meu ponto de vista.
É só a minha forma de pensar que dá muitas voltas,
mas cai quase sempre no mesmo lugar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Continuidade

Desistir também requer coragem. Sou muito apegada, e como a desistência é irmã do desapego, prefiro adiar a desistir. E foi assim, insistindo, que (re)comecei a preencher as páginas em branco de minha vida.
Esta breve introdução se presta a registrar o fato de este blog ser apenas uma cotinuação do http://paginasembranco.blig.ig.com.br/ em razão de ter se tornado impossível uma simples postagem sem um trilhão de problemas. Prefiro pensar neste 'Blog' como sendo aquele mesmo 'Blig' que apenas mudou de endereço mas não perdeu a essência (se é que já houve alguma). Já me sento bem vindo! P. B.