Passou o Natal e até aí tudo normal. Um dia como outro qualquer.
Vem chegando o Ano Novo, uma passagem de um dia pra outro como todas as demais. Acontece mais de 360 vezes por ano.
Em casa, sem querer fazer nada melhor, pois sempre há algo muito melhor pra se fazer, tive um sessão nostalgia, procurando em redes sociais por antigos conhecidos.
Eu sempre tenho a sensação de ter parado no tempo, de algum modo que não sei dizer, mas ver essas fotos de gente feliz me fez pensar que a vida é sempre igual.
Quase todo mundo casou, teve filhos e tem um emprego medíocre ou, com sorte, mediano.
E é isso.
Terão netos, se aposentarão, morrerão, mais ou menos nessa ordem, exceto pela morte que é sempre a última, o evento que encerra a vida. Mas este niguém fotografa, ou quase ninguém, e já há quem mencione nas redes sociais sua 'participação' em enterros e cerimônias fúnebres em geral.
Já faz alguns anos que penso: "A minha vida eu planejei só até a faculdade, por isso só deu certo até aí". Claro que me refiro à vida profissional, pois estou satisfeito com os amigos e família que tenho, apesar de nem sempre o estar com o modo como me relaciono com eles.
Isso porque quando era criança me fizeram acreditar que eu poderia ser qualquer coisa, tudo que eu quisesse! Ninguém avisou que dá trabalho, que quase sempre custa dinheiro, que 'qualquer coisa' é tão amplo que nem existe e que 'tudo' é coisa demais pra realizar numa vida só.
Resultado: passei alguns anos tentando escolher algo em meio a tudo e rezando pra que algo bom me escolhesse, poupando maiores esforços. Quanta bobagem! A gente assiste TV demais e acha que é mesmo verdade que é possível virar Miss porque um dia encontrou a pessoa certa num elevador, que qualquer um vira empresário de sucesso depois de ter um sonho, daqueles sem pé nem cabeça que temos quando dormimos, que era na verdade uma grande ideia que ninguém mais tenha tido.
E olha que pensei tudo isso depois de ver fotos de gente feliz, cercada de amigos. Sim, pois no mundo virtual a vida é editada qual um filme, só os melhores momentos permeados com algum drama de vez em quando pra o público não dormir, se identificar.
Assim, sigo esperando pelo dia em que a grande oportunidade para me tornar uma pessoa de sucesso vá cair no meu colo e me arrastar como um furacão rumo à felicidade tranquila, quase plena. Já aconteceu com várias pessoas de serem 'encontradas' pela vida, porque não poderia ser também o meu modo de me encontrar no mundo, na minha parca existência?
Na falta de uma ideia melhor...
Páginas em Branco II
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
domingo, 16 de novembro de 2014
O risco é iminente.
Já disseram por aí que grandes artistas sofrem a maldição de morrer aos 27 anos.
Completei 28, pois é.
Acho que nunca fui assim tão criativo como imaginava que pudesse ser quando estava no ensino médio.
Mesmo assim, por um instante este fato trouxe um certo alívio. Completei 28, agora passo dos 90! Mas pra quê mesmo?
Depois de ter passado pela "faixa de risco" ainda acho que vou morrer, ainda sonho com a morte, como algo iminente.
Sonho que tenho a convicção de que se ela chegar agora, tudo bem, pois já conclui o que precisava e queria, passei um tempo com a minha família. E isso não quer dizer que eu tenha realizado de fato alguma coisa. Foi mesmo só isso, reservei um tempo para a família.
A morte sem dor, se é que isso é possível, não é um prolema. Dificuldade é saber que tem gente morrendo e que um dia isso chega perto de você.
Mas o medo de sofrer já é um sofrimento.
Então o melhor é tentar esquecer-se, ocupar-se, inventar objetivos inúteis a perseguir.
No fim das contas, tanto faz.
Completei 28, pois é.
Acho que nunca fui assim tão criativo como imaginava que pudesse ser quando estava no ensino médio.
Mesmo assim, por um instante este fato trouxe um certo alívio. Completei 28, agora passo dos 90! Mas pra quê mesmo?
Depois de ter passado pela "faixa de risco" ainda acho que vou morrer, ainda sonho com a morte, como algo iminente.
Sonho que tenho a convicção de que se ela chegar agora, tudo bem, pois já conclui o que precisava e queria, passei um tempo com a minha família. E isso não quer dizer que eu tenha realizado de fato alguma coisa. Foi mesmo só isso, reservei um tempo para a família.
A morte sem dor, se é que isso é possível, não é um prolema. Dificuldade é saber que tem gente morrendo e que um dia isso chega perto de você.
Mas o medo de sofrer já é um sofrimento.
Então o melhor é tentar esquecer-se, ocupar-se, inventar objetivos inúteis a perseguir.
No fim das contas, tanto faz.
domingo, 14 de setembro de 2014
Ausência
De todas as pessoas distantes sobre as quais eu poderia fazer algo para ter novamente por perto você é a de que sinto mais e mais saudade.
Desejo tanto nossas conversas, madrugadas, abraços demorados, consolo, sorrisos, silêncios, respiração... Músicas, contemplação, despedidas, solidão compartilhada.
Eu não tenho tanto em comum com mais ninguém.
Perdoe-me por tantas reservas, adiamentos infinitos, distância.
Desejo tanto nossas conversas, madrugadas, abraços demorados, consolo, sorrisos, silêncios, respiração... Músicas, contemplação, despedidas, solidão compartilhada.
Eu não tenho tanto em comum com mais ninguém.
Perdoe-me por tantas reservas, adiamentos infinitos, distância.
Luto
Uma vez vi em algum lugar que o luto pode durar até dois anos, mas deve ser algum tipo de lembrança fabricada que só existiu na minha mente.
Seja lá como for não deve, normalmente, durar muito mais do que isso. Menos, talvez.
O fato é que o meu durou 10 anos.
Neste período eu não sabia o que estava acontecendo comigo.
Fui outra pessoa, encontrei um "não eu" por aí, mas não me dava conta disto.
Fiz coisas das quais não me orgulho, pois são coisas que eu "jamais faria", e, não fiz mais. Não me orgulho de nada que tenha feito neste tempo todo, às vezes acredito até que não fiz coisa alguma, pois não fiz o que normalmente faria, nem o que deveria fazer. Alías, não me lembro de ter feito, realmente, alguma coisa. Passei pelos lugares e pelas pessoas sem deixar marcas e quase nada as deixou em mim.
Na verdade, vendo agora, com distanciamento, faz uns cinco anos que estou saindo desse limbo.
Limbo sim! Além de tudo não queria nem pensar, e medo de esquecer. Chorava cada vez que lembrava.
O fato é que com o passar dos anos as datas foram perdendo significado, os rituais foram sendo deixados de lado pouco a pouco. As lembranças ruins já nem doem mais, de tão distantes que ficaram.
Acredito que estou mesmo recuperando minha autoconfiança. De forma exageradamente lenta, é verdade, mas ao menos passei a compreender o que se passou comigo na última década.
Nada disso, porém, justifica as más escolhas, ou, pior ainda, a ausência delas!
A parte boa é que em certo ponto aprendi a renunciar ao que é desnecessário, mesmo que não o faça sempre. E quase tudo é completamente desnecessário. Pena que quase ninguém o compreende.
Estou reaprendendo a ser eu, com todos meus defeitos, medos e culpas. Tornei a pensar e sentir.
Seja lá como for não deve, normalmente, durar muito mais do que isso. Menos, talvez.
O fato é que o meu durou 10 anos.
Neste período eu não sabia o que estava acontecendo comigo.
Fui outra pessoa, encontrei um "não eu" por aí, mas não me dava conta disto.
Fiz coisas das quais não me orgulho, pois são coisas que eu "jamais faria", e, não fiz mais. Não me orgulho de nada que tenha feito neste tempo todo, às vezes acredito até que não fiz coisa alguma, pois não fiz o que normalmente faria, nem o que deveria fazer. Alías, não me lembro de ter feito, realmente, alguma coisa. Passei pelos lugares e pelas pessoas sem deixar marcas e quase nada as deixou em mim.
Na verdade, vendo agora, com distanciamento, faz uns cinco anos que estou saindo desse limbo.
Limbo sim! Além de tudo não queria nem pensar, e medo de esquecer. Chorava cada vez que lembrava.
O fato é que com o passar dos anos as datas foram perdendo significado, os rituais foram sendo deixados de lado pouco a pouco. As lembranças ruins já nem doem mais, de tão distantes que ficaram.
Acredito que estou mesmo recuperando minha autoconfiança. De forma exageradamente lenta, é verdade, mas ao menos passei a compreender o que se passou comigo na última década.
Nada disso, porém, justifica as más escolhas, ou, pior ainda, a ausência delas!
A parte boa é que em certo ponto aprendi a renunciar ao que é desnecessário, mesmo que não o faça sempre. E quase tudo é completamente desnecessário. Pena que quase ninguém o compreende.
Estou reaprendendo a ser eu, com todos meus defeitos, medos e culpas. Tornei a pensar e sentir.
terça-feira, 22 de abril de 2014
domingo, 23 de março de 2014
A Morte
Ela está me rondando,
me seguindo pelas ruas.
Nos meus sonhos, dormindo
e nos meus pensamentos, acordado.
me seguindo pelas ruas.
Nos meus sonhos, dormindo
e nos meus pensamentos, acordado.
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