Quando eu era criança ouvia dos comerciantes, assim como minha mãe, das pessoas em geral e até mesmo nos desenhos animados que o "freguês tem sempre razão". É claro que não queriam dizer que os clientes sempre têm razão, mas a expressão significava que o empresário deveria ser maleável na busca de manter a fidelidade do seu cliente, representava a consciência de que o serviço ou produto só tinham razão de existir porque alguém queria consumí-los, e também a gratidão pela escolha do cliente; escolha que mantinha empresas prósperas e longos contratos de emprego. E quem diria que uma certa dose de capitalismo poderia ser tão saudável!
Entretanto, tal expressão, ao que me parece, caiu em desuso. A prática do momento, moda lançada pelos grandes grupos empresariais, é usar de todo tipo de sutileza para convencer o cliente. Primeiro se convence-o de que está fazendo o melhor negócio de sua vida, e depois, quando ele finalmente entende como funciona o produto ou as limitações impostas ao serviço que tando passou a querer, a desejar, como se fosse a coisa mais necessária de sua vida, se convence-o de que a sua insatisfação é culpa sua. As cláusulas são claras e é azar o do consumidor não ser perito a ponto de decifrar as entrelinhas, ou, de ser ingênuo a ponto de dispesar quando apresentado às peripécias gramaticais e letras miúdas de um contrato que sequer se sabe onde consultar. Está inventada a arte de dizer sem deixar tão claro, de ludibriar com falsa boa fé. Mas quem poderia provar que houve má fé, e onde estaria o interesse em ter clientes insatisfeitos?
Em um mercado onde os poucos gigantes que tudo dominam agem praticamente em uníssono de nada mais vale a satisfação do cliente. Importa ser habilidoso em te enrolar, fazendo-o acreditar que está trabalhando para melhor atendê-lo!
terça-feira, 26 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
O meu inferno são os outros, e meu mundinho particular é meu paraíso, único consolo e guardião do choro mais profundo, doído e contido.
Tanto esforço para não falar da vida de ninguém enquanto o esporte universal é dar palpite na vida alheia. Os argumentos redentores são: “Eu quero o melhor para você”; “Mas você não merece isso, merece mais pela sua capacidade”; “Você deveria fazer...”. E é nesta última parte que começa a infindável lista de coisas que eu já tentei fazer, influenciado que fui por todo mundo que queria o meu bem, e que obviamente não deram certo. Tivesse eu toda a capacidade que afirmam e teria muito mais do que realmente mereço.
O pior de tudo é ver quão insensível e egoísta é o ser humano.
Nesta terra de gente que só quer o meu bem não há um ser sequer que se pergunte o que eu gostaria de fazer afinal, ou então que compreenda que eu posso simplesmente não saber o que quero fazer e por conta disso queira fazer uma série de coisas que não têm nada a ver com o que se considera “o melhor para mim”.
O esporte da moda é me olhar com uma expressão mista de espanto e piedade trepudiadora só porque não fiz o que todo mundo esperava. Eu decepcionei a todos ainda mais uma vez, mas agora eu consigo me sentir bem, na maior parte do tempo, e especialmente naquela parte em que consigo ser anônimo e ficar afastado da “terra de gente que só quer o meu bem”.
Será que, finalmente, começo a provar o sabor da liberdade?
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